Como o Inkling, novo modelo da Thinking Machines, desafia as gigantes da IA
A startup de Mira Murati lança o Inkling, modelo open-weight de 975B de parâmetros que foca em eficiência técnica e customização empresarial via Tinker.
Com rodada liderada pela KBR, startup britânica expande modelo Orbital para acelerar simulações físicas e reduzir custos na indústria de óleo e gás.
Em 15 de julho de 2026, a startup de tecnologia britânica Applied Computing anunciou a captação de US$ 20 milhões em uma rodada de investimentos de Série A liderada pela gigante global de engenharia KBR, com participação estratégica da Databricks Ventures. Fundada no ano de 2023 na cidade de Londres, a empresa foca em criar um modelo de inteligência artificial de fundação capaz de cobrir toda a infraestrutura física de refinarias e plantas petroquímicas. Os recursos financeiros obtidos na rodada serão destinados à expansão internacional da empresa, contratações para áreas de pesquisa e engenharia de software e ao desenvolvimento de novas implementações industriais junto a corporações de energia.

A tese central defendida pela Applied Computing foca na resolução de um problema crônico na indústria de processos pesados: a fragmentação absoluta das informações operacionais. De acordo com o cofundador e CEO da startup, Callum Adamson, as refinarias e petroquímicas modernas tomam suas decisões diárias operando com menos de 8% de todos os dados disponíveis capturados pelos seus sistemas de monitoramento. Embora o investimento em sensores e redes de transmissão industrial tenha crescido, as empresas enfrentam dificuldades para consolidar as leituras de equipamentos com o conhecimento teórico e os manuais técnicos de engenharia em tempo real.
A tecnologia desenvolvida pela startup busca unificar essas frentes de forma quase instantânea para aumentar a segurança e reduzir o consumo de energia. O modelo de fundação proprietário batizado de Orbital atua integrando as leituras dinâmicas do ambiente físico com o embasamento teórico da engenharia, reduzindo o tempo de diagnóstico de falhas críticas. A proposta é comprimir investigações operacionais complexas que costumavam consumir dias ou semanas de análises manuais para apenas alguns segundos, fornecendo respostas rápidas aos times de campo sobre anomalias em seus ecossistemas de produção.
Ao contrário dos conhecidos grandes modelos de linguagem natural (conhecidos no mercado de tecnologia pela sigla LLMs), cuja função primária é predizer o próximo termo em um bloco textual, a solução Orbital da Applied Computing foi desenhada especificamente para prever as condições operacionais de plantas industriais inteiras. A arquitetura desenvolvida pela startup mescla três modelos distintos em um mesmo motor de processamento: um modelo de séries temporais, um modelo de física e química e um modelo de processamento de linguagem natural. Essa integração simultânea permite ao sistema interpretar dados em tempo real sob a ótica das leis da natureza e do maquinário instalado na fábrica.
Ao processar dados considerando essas três perspectivas, o Orbital consegue realizar simulações minuciosas considerando fatores como restrições mecânicas de equipamentos de refino e as ações executadas pelos operadores humanos no painel de controle. Com essa ferramenta de simulação na planta, técnicos podem prever de forma rápida como um pequeno ajuste feito em um determinado setor de tubulação ou em uma caldeira específica pode impactar todo o restante da cadeia produtiva de energia da instalação.
Em termos de agilidade no tratamento de riscos, a Applied Computing posiciona o Orbital como uma ferramenta ágil capaz de identificar anomalias térmicas ou de pressão em minutos. O sistema realiza investigações sobre as origens do problema técnico e calcula se as medidas corretivas simuladas para solucionar o vazamento ou interrupção provocarão falhas secundárias em outras áreas da planta de petróleo ou gás. Esse processo, segundo a empresa, reduz o tempo de diagnósticos industriais profundos, que tradicionalmente levavam dias, para o intervalo de meros segundos no painel digital.
A dificuldade operacional das refinarias modernas decorre da escala monumental das suas infraestruturas físicas. Uma única refinaria ou complexo de produção petroquímica possui milhares de sensores medindo variáveis críticas como temperatura, pressão, velocidade de fluxo de fluidos e viscosidade química dos materiais refinados. A imensa quantidade de dados gerados por segundo, contudo, é dispersa em sistemas isolados de software, o que impede as equipes de engenharia de formular predições em tempo hábil para evitar o desperdício de insumos.
A solução proposta pelo software Orbital busca solucionar essa defasagem processando dinamicamente essas informações sem que seja necessário consolidar bases de dados legadas de forma manual. Callum Adamson, CEO da Applied Computing, explica que a real barreira do mercado de óleo e gás não reside em adquirir mais equipamentos de medição, mas sim na velocidade em que se unificam os dados de leituras de campo, a documentação teórica da engenharia de processos e as leis imutáveis da química e da física sob uma mesma camada de processamento digital.
Essa dificuldade foi detalhada de forma enfática pelo cofundador da startup em entrevista concedida ao portal norte-americano de notícias de tecnologia TechCrunch. De acordo com o executivo, a chave mestra para o aumento da produtividade nessas indústrias depende diretamente de viabilizar a troca de informações ágil entre esses polos operacionais e de modelagem:
"É fazer com que essas três fontes de dados conversem entre si em tempo real. Essa é a verdadeira chave."
A validação comercial do modelo Orbital avançou de maneira acelerada no setor industrial internacional. A startup Applied Computing revelou ter transitado do modo de desenvolvimento confidencial (conhecido no mercado como stealth) para um faturamento recorrente anual (indicado pela sigla corporativa ARR) de dezenas de milhões de dólares em um período de apenas 18 meses de atuação comercial ativa. Embora o CEO Callum Adamson mantenha em sigilo o número total de corporações que assinaram contratos comerciais com a startup, ele declarou que o modelo já está operacional em grandes corporações de energia listadas em bolsa de valores.
O ecossistema comercial do produto conta com parcerias robustas com gigantes de engenharia e tecnologia da informação, como a multinacional indiana Wipro e a norte-americana KBR. A KBR realizou a integração de rotina do Orbital em sua própria plataforma digital para projetos de energia, o sistema INSITE 3.0, e utiliza atualmente o motor inteligente de predições em processos industriais de produção de amônia. Adicionalmente, a direção da startup confirmou o andamento de projetos piloto com uma relevante operadora de poços de extração de petróleo (upstream) baseada nos Estados Unidos e sinalizou que anunciará uma parceria com uma grande petrolífera de origem europeia (chamada de oil major) nas próximas semanas.
Com os novos US$ 20 milhões recebidos em sua rodada liderada pela KBR e pela Databricks Ventures, a Applied Computing planeja expandir sua infraestrutura física e de pesquisa. Recentemente, a empresa anunciou a inauguração de um escritório de representação na cidade de Houston, no Texas, aproximando suas equipes de dois clientes norte-americanos importantes do polo energético local. A nova base junta-se ao quartel-general administrativo da empresa localizado em Londres, na Inglaterra, e ao seu centro técnico operacional estabelecido na cidade de Bengaluru, na Índia, enquanto a diretoria da empresa projeta futuras investidas no mercado do Oriente Médio.
A entrada do Orbital no mercado de automação e engenharia industrial o coloca em concorrência direta com empresas de software consolidadas de longa trajetória. Uma das rivais diretas é a AspenTech, que comercializa sistemas consolidados de modelagem assistida por inteligência artificial e softwares de simulação voltados tanto para poços e jazidas de extração de petróleo em upstream quanto para processos de refino químico de complexidade avançada. Outra concorrente relevante é a britânica AVEVA, que foca na entrega de simulações físicas refinadas e modelagens preditivas com foco em análises de cenários operacionais denominadas de what-if para plantas industriais complexas.
Além das grandes empresas de tecnologia de automação clássicas, startups de menor escala disputam a base de gerenciamento e manipulação de fluxos de dados industriais nas refinarias de óleo e gás. Empresas como a Cognite e a Seeq concentram seus produtos de software nas camadas de integração de dados brutos e na análise preditiva aplicada diretamente à otimização e desenho de novos fluxos de trabalho organizacionais de engenharia. O diferencial da Applied Computing frente a esse cenário é atuar não apenas no gerenciamento das informações legadas, mas na consolidação de um modelo inteligente centralizado.
Para se diferenciar das plataformas rivais, o cofundador Callum Adamson sustenta que a real vantagem competitiva de sua empresa não repousa sobre a exclusividade no acesso a bancos de dados industriais ou conhecimento básico das plantas de manufatura. Em sua visão de negócios, o principal diferencial está na capacidade de recrutar e reter pesquisadores e engenheiros de ponta especializados em arquiteturas de redes neurais artificiais, profissionais altamente cobiçados pelas principais empresas do planeta e que dificilmente escolheriam carreiras em grandes conglomerados petroleiros tradicionais. O CEO da Applied Computing expõe essa realidade corporativa de forma enfática:
"É um problema de IA. Não é um problema de dados, e não é um problema de energia. Se você é um pesquisador de IA de primeira linha, onde você vai trabalhar? ... Não acho que a Shell esteja nessa lista."
Adicionalmente, Callum Adamson pontua que a qualidade dos dados gerados por implantações reais do modelo de simulação Orbital nas plantas atua como uma barreira que impede cópias por outras desenvolvedoras de sistemas. Como os dados operacionais das refinarias e petroquímicas privadas não são públicos e as simulações computacionais de laboratório não reproduzem com perfeição os acidentes dinâmicos e comportamentos de uma fábrica ativa, o acesso direto obtido através da parceria com a KBR garante à Applied Computing uma massa de testes qualificada e relevante para a evolução constante de suas redes de inteligência artificial.
A expansão de sistemas como o Orbital visa redefinir as margens econômicas de indústrias pesadas globais, as quais operam sob fortes exigências de corte de desperdício energético e reduções de emissões gasosas. Ao demonstrar que é possível operar plantas petroquímicas e refinarias de óleo e gás processando integralmente suas fontes de dados, a Applied Computing oferece às operadoras uma rota viável para reduzir gastos correntes mantendo os volumes planejados de produção final. A substituição gradual de fluxos operacionais que historicamente ignoram mais de 92% das medições de sensores representa uma guinada significativa na produtividade logística do refino global.
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