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Busca com IA no Google salta para 43% e transforma a navegação na web

Estudo da Similarweb revela crescimento das AI Overviews no Google de 15% para 43% em um ano, impactando o tráfego de publishers e a navegação online.

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Servidores de dados com feixes de luz azul representando a busca por inteligência artificial.
Servidores de dados com feixes de luz azul representando a busca por inteligência artificial.

A busca por inteligência artificial está se consolidando como o padrão de navegação na internet. Segundo dados inéditos da empresa de inteligência de mercado Similarweb, divulgados pela jornalista Sarah Perez no TechCrunch, os resumos gerados por IA no motor de busca do Google — conhecidos oficialmente como AI Overviews — saltaram de uma participação de 15% para 43% de todas as pesquisas em apenas um ano. Essa expansão acelerada marca uma reestruturação profunda na forma como os usuários consomem informação online e navegam pela rede mundial de computadores.

Servidores de dados com feixes de luz azul representando a busca por inteligência artificial.
Foto: TechCrunch AI

O relatório da Similarweb aponta que o ecossistema de inteligência artificial gerativa do Google deixou de funcionar como um mero complemento e tornou-se parte central da experiência do usuário. A empresa leva os internautas diretamente para o AI Overviews, a partir do qual é possível aprofundar as pesquisas por meio do AI Mode, uma ferramenta conversacional da plataforma. Dados do estudo revelam que as visitas ao AI Mode cresceram de 126 milhões em junho de 2025 para 279 milhões em maio de 2026, demonstrando a rápida adesão do público a esse formato interativo.

"O que começou como uma camada de IA sobre a busca tornou-se parte integrante da própria jornada de pesquisa, à medida que o Google insere os usuários no AI Overviews, onde eles podem continuar suas pesquisas através do AI Mode, mais conversacional", destaca o relatório da Similarweb publicado por Sarah Perez.

Essa mudança drástica nas métricas da Similarweb reflete um novo paradigma para a web global. No modelo histórico construído pelo Google, a plataforma atuava como um diretório que exibia uma lista simples de links azuis para que os usuários clicassem e navegassem até portais externos. Com o avanço das AI Overviews e do AI Mode, o próprio Google passa a operar como o destino final da pesquisa, sintetizando e entregando as respostas diretamente em sua interface a partir dos dados coletados nos sites indexados.

Mudança no comportamento das buscas

A transformação arquitetônica impulsionada pelo Google reflete-se diretamente no tempo de permanência dos usuários na plataforma de busca. De acordo com as métricas do relatório da Similarweb, o tempo médio gasto nas pesquisas do Google registrou alta contínua ao longo do último ano. Esse fenômeno está diretamente associado à mudança de hábito do consumidor, que passou a abandonar termos de busca curtos baseados em palavras-chave para adotar frases mais longas, complexas e conversacionais, desenhadas para processamento por modelos de inteligência artificial.

A migração para consultas extensas impacta diretamente a dinâmica de navegação online. Quando um usuário faz uma pergunta detalhada no Google, o sistema processa a intenção e gera um resumo abrangente no AI Overviews. Essa mecânica elimina a necessidade de o internauta acessar múltiplos portais para compilar informações, retendo-o dentro do ambiente do Google e reduzindo drasticamente a taxa de cliques de saída (outbound clicks) rumo à web aberta.

A retenção dos internautas na SERP (Search Engine Results Page) do Google transforma o motor de busca de uma porta de entrada para a internet em um ecossistema fechado. À medida que o total de buscas cobertas por AI Overviews atinge 43%, o tráfego gerado para produtores de conteúdo, veículos de imprensa e sites especializados sofre reduções expressivas, consolidando o avanço das pesquisas de zero clique (zero-click searches).

Impacto no tráfego dos publishers

A rápida ascensão do AI Overviews para 43% do volume total do Google não foi bem recebida pelos produtores de conteúdo e portais de notícias. Os veículos de comunicação enfrentam perdas volumosas de tráfego de referência (referral traffic), uma vez que as respostas geradas por IA fornecem as informações diretamente na tela sem gerar o clique para a matéria original. A tendência já vinha sendo monitorada pela Similarweb no ano anterior, quando a consultoria classificou o impacto inicial dessas respostas automatizadas como devastador para os publishers de notícias.

Diante da perda de audiência imposta pelo ecossistema do Google e por outros modelos gerativos, a indústria de infraestrutura digital começou a reagir. A empresa de segurança e infraestrutura web Cloudflare lançou ferramentas que permitem aos produtores de conteúdo combater a raspagem automatizada de seus dados. O sistema da Cloudflare possibilita o bloqueio direcionado aos robôs de varredura (crawlers) de inteligência artificial, exigindo que as empresas de tecnologia paguem pelo acesso ao conteúdo por meio de um marketplace dedicado.

O relatório da Similarweb aponta uma contradição no comportamento dos sistemas de IA: enquanto o número de respostas com IA que incluem citações às fontes originais cresceu mais de cinco vezes (5x) ao longo do último ano, essa abundância de links não se converteu em acessos para os veículos. Mesmo com a presença ostensiva de fontes nos resumos do Google, a taxa de conversão dessas citações em cliques efetivos permanece em níveis extremamente reduzidos.

Comparativo com o ChatGPT

O levantamento da Similarweb traz uma análise comparativa sobre como outras plataformas gerativas lidam com citações e direcionamento de tráfego, utilizando o ChatGPT da OpenAI como referência. Segundo o estudo, até o mês de maio de 2026, apenas 6,8% das consultas realizadas no ChatGPT via desktop nos Estados Unidos exibiam citações com links para os sites de origem, apesar da evolução recente das capacidades de busca do sistema.

A taxa de inclusão de links nas respostas do ChatGPT oscila de maneira significativa dependendo do segmento pesquisado. A Similarweb observou que categorias específicas — como viagens, varejo e esportes — geram respostas com citações e links externos com uma frequência muito superior à média geral de 6,8% gravada nas pesquisas de desktop nos EUA.

Apesar dessa métrica restrita de citações no ecossistema da OpenAI, o relatório destaca uma evolução positiva para os produtores de conteúdo a partir de atualizações recentes de software. Em 7 de maio de 2026, a OpenAI implementou uma atualização na busca do ChatGPT que alterou significativamente o comportamento de envio de tráfego para a web externa.

Destaque para os links azuis

A atualização do sistema de busca do ChatGPT realizada em 7 de maio de 2026 trouxe resultados imediatos no redirecionamento de usuários. Dados da Similarweb mostram que a proporção de pesquisas desktop nos Estados Unidos que resultaram em visitas a páginas de destino saltou de 25% em março de 2026 para quase 60% em 30 de maio de 2026.

Esse avanço de 25% para quase 60% em menos de dois meses demonstra que os internautas voltam a clicar nas fontes originais quando a interface de IA exibe links azuis proeminentes e bem posicionados junto às respostas sintetizadas. A mudança na mecânica do ChatGPT prova que o comportamento do usuário pode ser influenciado pela forma como os elementos de navegação são apresentados na tela.

Apesar da sinalização positiva observada nas métricas da OpenAI após o ajuste de 7 de maio, a tendência dominante do mercado continua sendo ditada pela escala massiva do Google. Com o avanço do AI Overviews para 43% das buscas e a expansão do AI Mode para 279 milhões de acessos em maio de 2026, o ecossistema global caminha para uma centralização onde o buscador atua simultaneamente como agregador, criador de conteúdo e destino final do usuário.

Impacto no mercado brasileiro

Para o ecossistema de mídias digitais, veículos de imprensa e profissionais de marketing e SEO no Brasil, a rápida transição do Google de um indexador para uma plataforma de respostas fechadas impõe uma reestruturação profunda nos modelos de negócios. Com o avanço das AI Overviews de 15% para 43% em doze meses, os grandes portais de notícias brasileiros enfrentam uma ameaça direta à sua principal fonte de receita programática, que depende do volume de pageviews gerados por buscas orgânicas.

A adoção das soluções da Cloudflare surge como uma alternativa estratégica importante para o mercado brasileiro de tecnologia e publicação. Portais de grande audiência no país passam a avaliar a viabilidade técnica de bloquear crawlers de inteligência artificial ou exigir compensação financeira através do marketplace da Cloudflare, espelhando a reação de veículos internacionais para proteger seu acervo autoral contra a extração não remunerada pelo Google e outras empresas de tecnologia.

A elevação no volume de acessos ao AI Mode do Google, que bateu 279 milhões de visitas em maio de 2026, exige também a recalibragem das estratégias de otimização no Brasil. Profissionais de SEO que atuan no mercado nacional precisam migrar do foco estrito em palavras-chave curtas para a otimização focada em pesquisas conversacionais e intenção de busca em linguagem natural, adaptando-se ao comportamento de usuários que realizam consultas cada vez mais longas.

Apesar dos desafios impostos pelo crescimento de 43% das AI Overviews, os dados da Similarweb sobre o ChatGPT — onde o volume de visitas a sites externos subiu de 25% em março para quase 60% no final de maio de 2026 — revelam que novas vias de distribuição de tráfego podem emergir à medida que outras ferramentas de IA adotem interfaces com links mais visíveis. A repórter Sarah Perez, em sua análise para o TechCrunch, conclui que o futuro da informação online dependerá do equilíbrio entre essas novas interfaces de IA e a sustentabilidade financeira dos sites que alimentam a web aberta.

#Google#AI Overviews#Similarweb#ChatGPT#Cloudflare
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