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Cognition adquire assistente Poke para levar personalidade e humor ao Devin

A Cognition comprou a criadora do Poke em negócio milionário para integrar linguagem humana e orquestração ao assistente de código Devin.

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Mesa de trabalho moderna com notebook exibindo código de programação e interface digital
Mesa de trabalho moderna com notebook exibindo código de programação e interface digital

A startup de codificação com inteligência artificial Cognition anunciou a aquisição da The Interaction Company of California, empresa responsável pelo desenvolvimento do assistente virtual Poke, em um negócio que avalia a startup adquirida na faixa de centenas de milhões de dólares ("low nine figures"). A transação, confirmada oficialmente pelo cofundador da The Interaction Company, Marvin von Hagen, tem como objetivo central incorporar a interface comportamental e o tom sociável do Poke ao agente autônomo de programação Devin.

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Foto: TechCrunch AI

Com a concretização do acordo, o assistente Poke passará a utilizar a infraestrutura computacional e os modelos avançados de inteligência artificial da Cognition para se tornar uma ferramenta mais rápida e estável. Lançado em março de 2026, o Poke destacou-se no mercado por interagir com os usuários através de um formato familiar e descontraído, utilizando gírias e humor em aplicativos de mensageria populares como iMessage, SMS, Telegram e, em mercados selecionados, o WhatsApp.

A aquisição reflete a tese crescente no setor de tecnologia de que a forma como um assistente de inteligência artificial conversa com as pessoas é tão valiosa quanto os modelos de linguagem subjacentes que o alimentam. O cofundador da Cognition, Scott Wu, que já atuava como investidor-anjo do Poke ao lado do também cofundador da Cognition, Walden Yan, expressou a visão da companhia em comunicado oficial:

"A equipe da Interaction construiu um agente que as pessoas adoram: ele é proativo, conhece você e é divertido conversar com ele. É exatamente assim que trabalhar com o Devin deveria parecer, e agora podemos construir isso juntos."

Detalhes da aquisição e valores

O valor estipulado para a transação coloca a The Interaction Company of California no patamar de centenas de milhões de dólares, cifra confirmada por Marvin von Hagen. O interesse da Cognition na compra foi acelerado pelo forte engajamento demonstrado pelo Poke nos meses que antecederam o negócio. Segundo métricas divulgadas pela Cognition, os usuários do Poke trocaram mais de 100 milhões de mensagens na plataforma no período de três meses anterior ao anúncio.

Apesar do volume massivo de engajamento, alcançando centenas de milhares de pessoas ativas, o assistente enfrentava desafios operacionais no modelo financeiro. Conforme explicado por Marvin von Hagen, manter o Poke em funcionamento exigia um custo computacional extremamente elevado para processar as interações em tempo real, o que dificultava a geração de lucro de forma independente antes da união com a estrutura da Cognition.

Além disso, o relacionamento entre os fundadores de ambas as empresas antecede a aquisição corporativa. Tanto Scott Wu quanto Walden Yan realizaram aportes financeiros na The Interaction Company of California em fases anteriores do projeto na condição de investidores-anjo, acompanhando o crescimento do Poke desde a sua fase inicial de testes em março de 2026.

Integração da personalidade ao Devin

A estratégia por trás do negócio visa resolver uma limitação comum em assistentes voltados a tarefas técnicas: a frieza no fluxo de comunicação. Para a Cognition, tornar o Devin mais parecido com um colega de equipe de engenharia exige que o sistema adote um estilo de conversação fluido, proativo e capaz de compreender nuances contextuais da rotina de desenvolvimento de software.

Em entrevista sobre o acordo, Marvin von Hagen detalhou como a inclusão de personalidade pode transformar a produtividade e a convivência entre programadores humanos e agentes virtuais no ambiente de trabalho:

"Você provavelmente prefere ter colegas de trabalho que têm personalidade, em vez de ter colegas de trabalho que são apenas robôs. Quando você tem colegas de trabalho que também são engenheiros de software, eles também podem fazer uma piada. E você vai achar divertido e agradável."

Na prática, a introdução dessa camada comportamental ao Devin pretende afastar a ferramenta da imagem de um mero software utilitário de terminal. A intenção da Cognition é fazer com que o desenvolvedor converse com o Devin com a mesma naturalidade com que interage com outros engenheiros no ecossistema da empresa.

Trajetória e métricas do Poke

Desde que foi lançado em março de 2026, o Poke focou em atender os usuários nos canais de comunicação onde eles já estavam presentes diariamente. Em vez de exigir o download de um aplicativo proprietário, o assistente foi disponibilizado via iMessage, SMS, Telegram e WhatsApp, simplificando o acesso a recursos de inteligência artificial generativa.

As consultas ao Poke abrangem diversas tarefas cotidianas divididas em áreas como viagens, saúde, finanças, agendamentos e educação. Contudo, conforme apontado por Marvin von Hagen, os casos de uso mais frequentes do Poke concentram-se na produtividade pessoal, incluindo o gerenciamento de e-mails, o envio de lembretes e a organização de listas de tarefas diárias.

Em junho de 2026, o Poke atingiu um marco operacional significativo ao se tornar o primeiro agente de inteligência artificial aprovado para operar no Apple’s Messages for Business. Essa aprovação permitiu ao assistente entregar uma interface padronizada dentro do aplicativo Messages em dispositivos do ecossistema Apple.

Infraestrutura técnica e modelo SWE-1.7

No curto prazo, a rotina dos usuários do Poke não sofrerá alterações substanciais. A Cognition informou que o assistente continuará operando normalmente em sua estrutura atual e na plataforma da Apple até o final deste ano, sem descontinuidade nos serviços prestados aos seus centenas de milhares de usuários.

A fase de experimentos técnicos começará no próximo ano, quando a equipe do Poke passará a integrar seus sistemas ao SWE-1.7, o mais recente modelo de inteligência artificial focado em engenharia de software desenvolvido pela Cognition. O uso do SWE-1.7 permitirá que o Poke execute tarefas de maior complexidade técnica com maior precisão.

Embora a unificação completa dos produtos em uma única marca ainda esteja sob avaliação, a absorção do Poke pela infraestrutura da Cognition resolve o gargalo econômico da operação, garantindo suporte financeiro e poder computacional de grande porte para manter o assistente ágil e escalável.

Orquestração de tarefas e Pull Requests

Além da mudança no tom das conversas, a fusão entre Poke e Devin abre caminhos para otimizar o fluxo de trabalho de programação em nível arquitetural. Atualmente, o Devin possui uma limitação operacional em que consegue trabalhar em apenas um Pull Request (PR) de cada vez em um repositório de código.

Com a tecnologia de mensageria e orquestração do Poke, a expectativa é que o sistema passe a controlar múltiplas sessões paralelas do Devin, permitindo que o desenvolvedor delegue variadas tarefas simultaneamente. Em declaração sobre esse plano técnico, Marvin von Hagen explicou a visão para a sinergia dos produtos:

"Acho que, a longo prazo, o Poke pode ser mais confiável na orquestração de todas essas tarefas de codificação... e, ao mesmo tempo, o Devin poderia se tornar mais parecido com o Poke. Como agora, o Devin só pode fazer um PR — Pull Request — por vez... Acho que há muito valor em ter o Poke orquestrando diferentes sessões do Devin."

A persistência do histórico entre interações é outro fator técnico apontado pelo executivo. Com a memória contínua trazida pelo modelo do Poke, o Devin conseguirá lembrar de tarefas, preferências de código e decisões de arquitetura anteriores através de diferentes sessões, consolidando o conceito de um "colega de trabalho persistente" ("persistent co-worker").

Impacto para desenvolvedores no Brasil

A evolução dessa integração impacta diretamente a rotina de desenvolvedores brasileiros que utilizam ferramentas de codificação baseadas em inteligência artificial. A presença do Poke em plataformas amplamente difundidas no Brasil, como o WhatsApp e o Telegram, sinaliza a possibilidade de gerenciar pipelines de desenvolvimento e acompanhar status do Devin diretamente de aplicativos de mensagens móveis.

A transição de interfaces estritamente voltadas a comandos técnicos para interações que incorporam linguagem natural e capacidade de orquestrar múltiplos Pull Requests simplifica o acompanhamento de projetos de software. A combinação de modelos focados em engenharia como o SWE-1.7 com camadas de comunicação amigáveis demonstra que o mercado de TI caminha para unir capacidade analítica e usabilidade no mesmo ecossistema.

#Cognition#Devin#Poke#Inteligencia Artificial#Engenharia de Software
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