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Google projeta o chip Frozen v2 para multiplicar a eficiência do Gemini

Com codinome Frozen v2, novo chip projetado para 2028 promete ser até 10 vezes mais eficiente ao processar os modelos de IA Gemini da Alphabet.

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Processador de servidor de alta tecnologia com detalhes em silício brilhante em uma sala limpa
Processador de servidor de alta tecnologia com detalhes em silício brilhante em uma sala limpa

Em 20 de julho de 2026, o jornalista Lucas Ropek publicou no veículo TechCrunch uma revelação que reposiciona as peças no tabuleiro da infraestrutura global de tecnologia: a Alphabet, controladora do Google, está desenvolvendo um novo processador de servidor projetado especificamente para rodar seus modelos proprietários de inteligência artificial da família Gemini com um patamar inédito de eficiência. O projeto, tratado internamente sob o codinome de “Frozen v2”, expõe o esforço contínuo da gigante de Mountain View para desenhar soluções sob medida que reduzam drasticamente o consumo energético de suas operações na nuvem.

Processador de servidor de alta tecnologia com detalhes em silício brilhante em uma sala limpa
Foto: TechCrunch AI

O novo chip do Google

A existência do projeto do chip de servidor “Frozen v2” veio a público inicialmente por meio de uma reportagem do veículo de imprensa norte-americano The Information, que citou fontes anônimas ligadas diretamente ao desenvolvimento do componente. Segundo as informações vazadas, o silício proprietário do Google está planejado para ser lançado oficialmente no mercado corporativo em algum momento do ano de 2028, marcando um ponto de inflexão na estratégia de fornecimento de hardware da holding.

O grande diferencial competitivo que justifica o desenvolvimento do “Frozen v2” reside na sua métrica de desempenho em relação ao consumo energético: o relatório aponta que o chip pode ser entre seis e dez vezes mais eficiente do que os processadores de inteligência artificial atuais do próprio Google. Essa taxa de eficiência é calculada de maneira rigorosa com base no volume de tokens gerados por unidade de energia consumida, um indicador vital para avaliar o custo de operação de grandes modelos de linguagem.

O conceito de tokens gerados por unidade de potência serve como a unidade de medida padrão para a viabilidade comercial dos sistemas que alimentam o Gemini, já que cada palavra, caractere ou fragmento de código processado exige uma fatia de eletricidade nos datacenters. Um salto de até 10 vezes na eficiência energética em 2028 poderá baratear significativamente as consultas feitas por usuários e empresas, resolvendo um dos maiores desafios de margem de lucro enfrentados pela Alphabet.

A resposta oficial da empresa

Ao ser questionada oficialmente pelo repórter Lucas Ropek do TechCrunch, a assessoria de imprensa da Alphabet optou por adotar uma postura de cautela diplomática: a companhia não confirmou explicitamente o desenvolvimento do chip “Frozen v2”, mas também não desmentiu as informações divulgadas pelo The Information. A resposta enviada à imprensa foca no posicionamento estratégico de pesquisa contínua e inovação integrada que dita o ritmo dos laboratórios do Google.

“Nossas equipes estão constantemente pesquisando e experimentando novas inovações para entregar o máximo de desempenho e eficiência para nossos usuários e clientes. Embora nem todo projeto entre em produção, essa exploração rigorosa é central para nossa abordagem de pilha completa (full stack). Ao projetar conjuntamente nosso hardware e software desde o início, garantimos que nossos sistemas sejam integrados e altamente otimizados para cargas de trabalho do mundo real.”

Esse posicionamento oficial reforça que o desenvolvimento do “Frozen v2” faz parte de uma filosofia de engenharia conhecida na indústria de semicondutores como co-design de hardware e software. Ao projetar o chip físico de forma paralela ao aprimoramento dos algoritmos do Gemini, o Google busca atingir uma sinergia operacional que chips genéricos comprados de terceiros dificilmente conseguem entregar no dia a dia corporativo.

Para o ecossistema de TI e engenharia no Brasil, a abordagem de pilha completa descrita pela Alphabet evidencia um amadurecimento no mercado de nuvem. As empresas brasileiras que consomem serviços de inteligência artificial por meio do Google Cloud observam de perto esses anúncios, dado que a redução no consumo de energia por token processado pelo “Frozen v2” pode impactar diretamente a tabela de preços de APIs cobradas em dólar, reduzindo os custos de processamento para clientes do hemisfério sul.

A corrida por chips proprietários

A iniciativa do Google de acelerar o desenvolvimento do “Frozen v2” insere-se em um movimento global mais amplo, impulsionado por empresas de tecnologia que tentam mitigar os efeitos da escassez mundial de capacidade computacional voltada para inteligência artificial. O domínio histórico da fabricante de semicondutores Nvidia sobre este mercado gerou uma dependência estrutural que as grandes companhias estão tentando quebrar para retomar o controle de suas cadeias de suprimentos e custos de infraestrutura.

Nesse cenário de busca por independência da Nvidia, o Google não está sozinho: em junho de 2026, a OpenAI chocou o mercado ao anunciar seu primeiro chip personalizado voltado para o processamento de inferência, batizado de Jalapeño. O anúncio do processador Jalapeño mostrou que a criadora do ChatGPT adotou uma postura agressiva para baratear a execução diária de seus próprios modelos em seus datacenters parceiros.

O mercado de semicondutores de inteligência artificial registrou ainda outras movimentações cruciais em julho de 2026, quando surgiram relatórios indicando que a Anthropic, criadora da família de modelos Claude, estava em conversas avançadas para selar uma parceria de fabricação de chips de IA com a gigante de tecnologia sul-coreana Samsung. Essas iniciativas bilaterais indicam que o “Frozen v2” é a peça-chave do contra-ataque estratégico da Alphabet contra a concorrência direta.

Pressão financeira sobre a Alphabet

O desenvolvimento do chip “Frozen v2” atua também como um importante escudo financeiro e político para a administração executiva da Alphabet perante seus acionistas. No início de 2026, o Google anunciou ao mercado financeiro global uma estimativa de gastos de capital colossal para pavimentar sua estratégia de inteligência artificial, estimando investimentos que oscilam entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões.

Valores dessa magnitude — que superam com folga o Produto Interno Bruto de diversas nações em desenvolvimento — têm sido alvo de escrutínio por parte de investidores institucionais que temem o estouro de uma bolha especulativa no setor de inteligência artificial. Com investimentos de até US$ 190 bilhões em jogo, a diretoria da Alphabet precisa apresentar provas tangíveis de que o hardware que sustenta o Gemini se tornará financeiramente sustentável e lucrativo no médio prazo.

O anúncio do vazamento sobre o novo chip “Frozen v2” parece ter tido o efeito imediato de acalmar os ânimos de Wall Street antes mesmo da divulgação oficial do balanço trimestral da companhia. Na manhã de segunda-feira seguinte à publicação da matéria do The Information, as ações da Alphabet registraram uma expressiva alta de cerca de 3% na bolsa de valores, indicando que o mercado de capitais reagiu positivamente à promessa de um ganho de até dez vezes na eficiência de processamento.

Impacto no mercado brasileiro

Do ponto de vista prático do mercado de computação na nuvem no Brasil, a chegada do “Frozen v2” em 2028 deve redefinir a viabilidade econômica do uso de inteligência artificial generativa em larga escala no país. Empresas de setores altamente regulados e com margens apertadas, como bancos locais, operadoras de telecomunicações e grandes redes de varejo que utilizam a infraestrutura do Google, esbarram constantemente no alto custo transacional de rodar modelos como o Gemini em servidores estrangeiros.

A promessa do “Frozen v2” de multiplicar a eficiência energética do Gemini pode atenuar um dos grandes calcanhares de Aquiles da expansão tecnológica na América Latina: as tarifas de energia de datacenters regionais. Ao otimizar o consumo por token gerado, a Alphabet ganha flexibilidade para competir comercialmente no Brasil não apenas contra as soluções de inferência baseadas no processador Jalapeño da OpenAI, mas também contra soluções regionais de menor porte.

Com o horizonte temporal apontando para o lançamento oficial em 2028, a cadeia global de suprimentos ganha tempo para se reorganizar em torno dessa nova geração de silício, enquanto a Alphabet avança na consolidação de sua estratégia de infraestrutura em paralelo a concorrentes de peso como a aliança entre Anthropic e Samsung. Em última análise, a engenharia por trás do “Frozen v2” demonstra que a batalha pela supremacia na era da inteligência artificial não será vencida apenas por quem possui os melhores modelos de software, mas sim por quem conseguir construir e operar o hardware mais eficiente e sustentável do planeta.

#Google#Gemini#Frozen v2#Alphabet#Semicondutores
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