ServiceNow investe US$ 40 milhões na indiana BusinessNext de IA bancária
A ServiceNow investiu US$ 40 milhões na BusinessNext, avaliada em US$ 700 milhões, para expandir soluções de IA no setor bancário global.
Lucas Atkins, CTO da Arcee, afirma que modelos de pesos abertos como Qwen e Kimi K3 não oferecem riscos extras e impulsionam a inovação open source.
Em uma reportagem publicada pela jornalista Julie Bort no portal TechCrunch AI, em 22 de julho de 2026, o executivo Lucas Atkins, CTO do laboratório norte-americano de inteligência artificial Arcee, afirmou que os modelos de linguagem de pesos abertos (open-weight) desenvolvidos na China não são inerentemente perigosos para empresas ocidentais. A declaração de Atkins surge em meio a uma intensa escalada nos debates geopolíticos e regulatórios sobre o avanço global de sistemas como o Kimi K3, criado pela startup Moonshot AI, e a família de modelos Qwen, desenvolvida pela gigante de tecnologia Alibaba. Essas ferramentas ganham espaço acelerado no mercado corporativo internacional devido à sua altíssima capacidade técnica aliada a uma fração do custo de inferência por token cobrado por laboratórios proprietários.

A discussão ganhou forte apelo em Washington diante de rumores de que a administração do presidente Trump estaria considerando implementar medidas para banir a utilização desses modelos em território norte-americano, embora até o momento nenhuma ação formal tenha sido promulgada. Paralelamente, grandes empresas de modelos fechados do Silicon Valley, com destaque para a OpenAI e a Anthropic, demonstram crescente preocupação comercial com a expansão dessas soluções abertas. O avanço acelerado do Qwen e do Kimi K3 ameaça diretamente as margens de lucro dessas multinacionais americanas, que dependem do modelo de cobrança por chamada de API proprietária para sustentar suas avaliações de mercado.
Para Lucas Atkins, a ideia recorrente de que empresas ao executarem esses modelos em seus próprios data centers estariam se tornando vulneráveis a invasões de cibercriminosos ou governos estrangeiros é desprovida de sustentação técnica. A análise do CTO da Arcee possui um peso estratégico relevante no ecossistema global: a Arcee é uma startup focada no desenvolvimento de modelos abertos para oferecer às corporações dos Estados Unidos uma alternativa nacional aos sistemas chineses. Se o governo americano optasse por proibir os modelos vindos da China, a Arcee seria uma das empresas mais diretamente beneficiadas comercialmente por essa reserva de mercado. Mesmo assim, Atkins defende publicamente a manutenção do ecossistema aberto.
A fragilidade do argumento de risco de segurança, segundo a análise de Lucas Atkins ao TechCrunch AI, reside em uma incompreensão fundamental sobre a arquitetura dos sistemas de inteligência artificial. No debate político tradicional, observa-se a tendência incorreta de tratar um modelo de linguagem avançado como se fosse um aplicativo de software convencional.
“Muitas pessoas veem isso como algo semelhante a um programa de software chinês. Como se tivesse sido codificado com intenções x, y, z que um agente malicioso poderia simplesmente comandar”, explicou o CTO da Arcee à repórter Julie Bort.
A realidade do treinamento de grandes modelos de linguagem difere substancialmente da programação tradicional de código-fonte. Não existe uma estrutura de comandos condicionais clássicos operando em segundo plano enquanto o modelo processa entradas de texto.
“Essa não é, fundamentalmente, a forma como esses modelos são treinados. Não existe realmente nenhuma maneira de a Arcee ou a Alibaba criarem um modelo, fazerem com que alguém o execute em seu próprio ambiente e nós termos qualquer tipo de acesso a ele”, detalhou Atkins. Uma vez transferidos os arquivos de pesos de redes como o Kimi K3 da Moonshot AI ou o Qwen da Alibaba para servidores internos, a inferência ocorre de forma totalmente isolada e sem conexão com os criadores originais.
A distinção entre o código que executa o sistema e os pesos do modelo é o ponto técnico central defendido pela Arcee. Quando uma corporação faz o download de um modelo de plataformas abertas como o Hugging Face, o código responsável por carregar e rodar os tensores nos servidores é totalmente transparente e pode ser auditado linha por linha pelas equipes de engenharia de segurança da informação. O que não é disponibilizado publicamente pelos laboratórios são os métodos de treinamento proprietários e o conjunto bruto de dados utilizado durante a fase de pré-treinamento.
Antes de integrar qualquer modelo ao ambiente de produção, os departamentos de tecnologia das grandes empresas submetem o núcleo do sistema a processos rigorosos de teste e inspeção de infraestrutura. É padrão no setor realizar etapas de pós-treinamento (post-training) customizadas antes do lançamento corporativo. Nesse estágio de ajuste e alinhamento, os engenheiros corrigem e analisam métricas como viés comportamental, toxicidade nas respostas, taxa de alucinações e sensibilidade a tópicos sensíveis, assegurando total domínio operacional sobre a ferramenta antes que os usuários comecem a submeter *prompts* reais.
Uma das preocupações frequentes levantadas por analistas e concorrentes de modelos fechados envolve a possibilidade de que sistemas especializados em geração de código (coding models) pudessem ocultar falhas deliberadas ou portas dos fundos (backdoors) no código gerado para clientes corporativos. **Lucas Atkins**, que atua diretamente no treinamento diário de redes neurais na **Arcee**, afirma que, embora o cenário seja teoricamente concebível no plano abstrato, sua implementação prática exigiria manobras técnicas quase acrobáticas para ser bem-sucedida.
“Não há razão para que um ator suficientemente sofisticado não possa treinar um modelo para ser um modelo de código absolutamente incrível em todas as circunstâncias, mas que, ao ser apresentado a um certo tipo de base de código… algum treinamento oculto seja ativado”, articulou Atkins durante a entrevista concedida a **Julie Bort**. No entanto, o próprio executivo da **Arcee** fez questão de ressaltar a inviabilidade do conceito com os métodos atuais:
“Eu não sei como você faria isso”.
A natureza estocástica e criativa dos modelos de linguagem torna extremamente improvável que um modelo contemporâneo produza um trecho de *malware* funcional e específico em resposta a uma combinação de contexto e instrução previamente desenhada. As redes neurais trabalham com probabilidades estatísticas de tokens, não com rotinas determinísticas de software. As probabilidades de um vetor de ataque desse tipo funcionar em um cenário real sem ser detectado são extraordinariamente reduzidas.
Além disso, o fluxo de trabalho de desenvolvimento de software em empresas estruturadas passa por múltiplas etapas de verificação independente, incluindo revisões por pares, testes unitários automatizados e auditorias de análise estática de código. A chance de que um código com falhas intencionais gerado por um modelo como o **Qwen** passe por todas essas barreiras e seja implantado em ambiente de produção é quase nula. O risco prático é equivalente ao de utilizar qualquer outra ferramenta de software livre distribuída no ecossistema global.
Outro fator atenuante é a arquitetura moderna das aplicações corporativas de inteligência artificial, que são desenhadas para serem agnósticas em relação ao modelo subjacente (model-agnostic). As organizações constroem suas plataformas internas utilizando orquestradores que conseguem alternar facilmente entre múltiplos modelos de linguagem. Isso garante que, mesmo que modelos chineses como o **Kimi K3** ofereçam o melhor desempenho pelo menor custo no momento atual, as corporações não fiquem presas a esses ecossistemas e possam substituir o provedor de inferência imediatamente se identificarem qualquer anomalia operacional.
Na avaliação de **Lucas Atkins**, canalizar a energia do debate público para proibições e restrições impostas pelo governo americano prejudica o progresso da própria indústria tecnológica ocidental. Em conversa com o **TechCrunch AI**, o CTO resumiu a necessidade de focar no desenvolvimento interno em vez da criação de barreiras tarifárias ou regulatórias:
“Acho que, em vez de a conversa ser sobre como proibir modelos chineses, deveria ser sobre como promovemos um ecossistema bom e aberto aqui nos EUA”.
A **Arcee** extrai benefícios diretos da existência de modelos abertos de alta performance desenvolvidos na China, como as famílias **Qwen** da **Alibaba** e **Kimi K3** da **Moonshot AI**. Como os pesos são públicos e acessíveis através do **Hugging Face**, laboratórios norte-americanos conseguem estudar os avanços arquitetônicos implementados no exterior, replicar técnicas bem-sucedidas e aprimorar seus próprios modelos locais.
“A Arcee se beneficia do fato de esses modelos serem bons porque podemos aprender com o que eles fizeram. Podemos construir sobre eles. E então eles podem aprender com o que nós fazemos”, explicou **Atkins** na matéria assinada por **Julie Bort**. O executivo destacou ainda que existe um profundo respeito técnico entre as equipes da **Arcee** e os pesquisadores e cientistas individuais que projetam essas redes neurais na China, demonstrando que a ciência de dados open source transcende disputas políticas governamentais.
Para o CTO da **Arcee**, o caminho para reter a liderança tecnológica global não passa pelo protecionismo burocrático nem por sanções comerciais, mas pela capacidade de entregar produtos de desempenho superior ao mercado. A estratégia para suplantar a concorrência asiática foi sintetizada por **Atkins** no encerramento de sua declaração:
“A forma de competir com os modelos chineses é lançar um modelo que seja melhor. Precisamos dar a eles algo sobre o que falar”.
A discussão geopolítica travada ao redor de empresas como **OpenAI** e **Anthropic** reflete uma transformação profunda na economia da computação cognitiva. Modelos proprietários fechados cobram taxas calculadas com base no volume de tokens processados na entrada e na saída dos sistemas. Para corporações que movimentam volumes massivos de dados em pipelines diários de produção, o custo operacional de manter chamadas constantes a APIs de terceiros pode se tornar financeiramente inviável no longo prazo.
Em contrapartida, a oferta de modelos de pesos abertos de alta capacidade como o **Qwen**, da **Alibaba**, e o **Kimi K3**, da **Moonshot AI**, alterou drasticamente essa equação econômica. Ao disponibilizarem os arquivos de parâmetros para a comunidade global no **Hugging Face**, os laboratórios asiáticos permitiram que empresas de qualquer porte executem instâncias locais de inteligência artificial pagando exclusivamente pelo custo marginal de infraestrutura das suas próprias unidades de processamento gráfico (GPUs).
Essa discrepância na estrutura de custos é o fator que verdadeiramente ameaça as margens de lucro dos grandes laboratórios proprietários baseados nos Estados Unidos. O receio de **OpenAI** e **Anthropic** reside no fato de que clientes corporativos, ao perceberem que podem obter desempenho semelhante com custos de inferência sensivelmente menores e com total privacidade dos dados dentro de seus data centers, passem a migrar massivamente para alternativas open-weight como as produzidas pela **Arcee** ou pela **Alibaba**.
Para o mercado de tecnologia no Brasil, a análise apresentada por **Lucas Atkins** no **TechCrunch AI** traz direcionamentos valiosos para diretores de tecnologia (CTOs), arquitetos de software e especialistas em segurança da informação. Em um ambiente econômico no qual a oscilação cambial do dólar inflaciona diretamente os custos de contratação de APIs proprietárias da **OpenAI** ou da **Anthropic**, a utilização de modelos de pesos abertos surge como a alternativa mais viável para democratizar o uso corporativo de inteligência artificial no país.
As equipes brasileiras de engenharia que optam por hospedar modelos abertos como o **Qwen** ou o **Kimi K3** em provedores de nuvem regionais ou em infraestruturas próprias ganham independência financeira e previsibilidade orçamentária. As observações técnicas da **Arcee** confirmam que, ao adotar processos adequados de validação do código-fonte baixado do **Hugging Face** e aplicar rotinas internas de pós-treinamento para alinhar as respostas às especificidades culturais e de linguagem do mercado brasileiro, os riscos operacionais são plenamente gerenciáveis.
A criação de soluções baseadas em arquiteturas agnósticas (model-agnostic) consolida-se como a abordagem mais segura para startups e grandes empresas no Brasil. Ao projetar sistemas que conseguem alternar dinamicamente entre os modelos abertos da **Arcee**, as soluções da **Alibaba** ou as APIs comerciais de laboratórios fechados, as empresas brasileiras protegem seus investimentos contra eventuais bloqueios regulatórios internacionais, sanções econômicas ou mudanças repentinas nas políticas de preços dos fornecedores globais.
A ServiceNow investiu US$ 40 milhões na BusinessNext, avaliada em US$ 700 milhões, para expandir soluções de IA no setor bancário global.
A startup de robótica Atoms, fundada por Travis Kalanick, captou US$ 1,7 bilhão em rodada liderada pela a16z, contando com aporte e reconciliação com a Uber.
Tesouro americano e Casa Branca acusam startup Moonshot de violar propriedade intelectual da Anthropic e burlar regras de exportação com chips Nvidia.