AMD MI355X supera NVIDIA B300 em custo-benefício ao executar o Kimi K3
Engenheiros da Wafer demonstram como a GPU AMD MI355X superou o NVIDIA B300 em desempenho por dólar na execução do modelo Kimi K3 de 2,8 trilhões de parâmetros.
Uma analise detalhada sobre como as decisoes da Google ao longo de duas decadas impactaram a adocao e a integridade do protocolo RSS.
Em 14 de agosto de 2023, a organização sem fins lucrativos Open RSS, sediada no Distrito de Colúmbia (EUA) e registrada sob o status 501(c)(3), publicou um relatório detalhado apontando como a Google contribuiu diretamente para o enfraquecimento do protocolo RSS. O documento argumenta que a gigante de buscas utilizou a infraestrutura aberta de sindicação de conteúdo para consolidar seu domínio de mercado e, em seguida, desmontou progressivamente o suporte à tecnologia em suas principais plataformas.
A investigação da Open RSS classifica a conduta da empresa dentro do histórico padrão conhecido na indústria da tecnologia como o modelo Embrace, Extend, and Extinguish (Abraçar, Estender e Extinguir). De acordo com a publicação, a Google construiu produtos populares ao redor do padrão aberto de RSS feeds para conquistar a confiança e a base de usuários, mas gradualmente removeu a compatibilidade após criar a dependência da sua própria infraestrutura corporativa.
Nas primeiras versões do Chromium, o projeto de navegador de código aberto mantido pela Google e que serve de base para o Google Chrome, havia uma integração nativa direta com o protocolo de feed. Quando o usuário visitava um site que disponibilizava uma URL de sindicação, um botão de RSS era exibido diretamente na barra de endereços do navegador.
A funcionalidade do Chromium permitia que o leitor assinasse o feed do site com um único clique na barra de navegação, enviando o fluxo de dados diretamente para o agregador configurado. Sem aviso prévio ou explicação formal aos desenvolvedores, a Google removeu o ícone e a integração nativa de feeds das versões subsequentes do navegador, dificultando a descoberta de fluxos RSS para o público leigo.
O movimento de controle da infraestrutura de distribuição ganhou escala no ano de 2007, quando a Google adquiriu o FeedBurner, um dos maiores serviços de gerenciamento e monetização de RSS feeds do mercado. A plataforma operava substituindo os links originais dos portais por URLs proprietárias sob controle da Google, permitindo a inserção de anúncios e rastreamento de navegação.
Através do FeedBurner, o tráfego dos leitores passava a ser monitorado com métricas de contagem de inscritos, taxa de cliques (click-through rates) e confirmação de leitura. Essa modificação no padrão original do RSS transformou um fluxo descentralizado de dados em um canal centralizado e monetizável pela rede de anúncios da Google.
Em outubro de 2012, a Google encerrou o suporte às APIs do FeedBurner, bloqueando qualquer tipo de integração ou desenvolvimento por parte de terceiros. A decisão impediu que programmaticamente novos agregadores criassem ferramentas conectadas ao ecossistema da plataforma, isolando o fluxo de leitores dentro do ambiente proprietário da empresa.
A degradação do serviço culminou em julho de 2022, quando a Google promoveu uma reformulação estrutural no FeedBurner e desativou a maioria das funcionalidades das quais os criadores dependiam, incluindo a distribuição automatizada por e-mail. A mudança abrupta deixou milhares de criadores de conteúdo com URLs quebradas e sem mecanismos simples de recuperação para as suas listas de assinantes de RSS feeds.
Lançado originalmente em 2005, o Google Reader tornou-se a ferramenta central para o consumo de notícias e blogs via RSS em todo o mundo. A aplicação web permitia organizar feeds em pastas, categorizar artigos por tags e acompanhar atualizações de milhares de sites de forma minimalista e sincronizada.
No ano de 2013, após uma década em que a ferramenta foi a referência global para agregadores, a Google anunciou o encerramento do Google Reader. Na justificativa oficial publicada no blog da empresa, a alegação apresentada foi que, embora o leitor tivesse um público fiel, o volume de uso da aplicação vinha caindo ano a ano.
Entretanto, declarações de um engenheiro da Google que trabalhou diretamente na equipe do produto contestaram o discurso oficial sobre o desinteresse do público. Segundo o desenvolvedor,
"parecia que durante todo o tempo em que estive no projeto, várias pessoas estavam tentando matá-lo", indicando uma pressão interna corporativa contra a manutenção de um agregador aberto.
A desativação do Google Reader em 2013 causou uma ruptura no ecossistema da web aberta, pois a empresa não ofereceu uma ferramenta substituta equivalente nem orientou os usuários sobre como migrar para agregadores independentes. A falta de transição fez com que uma parcela significativa de leitores abandonasse o hábito de usar RSS feeds, migrando para redes sociais centralizadas.
O serviço de monitoramento Google Alerts, projetado para notificar os usuários sobre novos conteúdos indexados na web com base em palavras-chave, recebeu suporte nativo a RSS feeds em outubro de 2008. Essa integração permitia que pesquisadores e jornalistas recebessem alertas em tempo real direto em seus leitores de notícias.
Em julho de 2013, logo após o encerramento do leitor de notícias da empresa, a Google eliminou silenciosamente a opção de saída via RSS do Google Alerts. A alteração foi sinalizada aos usuários por meio de um anúncio destacado em amarelo no topo do painel de controle, forçando a conversão da entrega exclusivamente para mensagens de e-mail.
A reação negativa de profissionais que dependiam do protocolo para fluxos automatizados de trabalho pressionou a Google a recuar e reativar a opção de RSS dentro do Google Alerts. No entanto, a análise do Open RSS ressalta que o recuo ocorreu quando parte do público já havia abandonado a ferramenta após o fim do Google Reader.
Paralelamente às mudanças nas aplicações web, a Google oferecia na Chrome Web Store uma extensão oficial desenvolvida por sua própria equipe. O utilitário identificava se a página acessada continha um feed XML e adicionava o ícone tradicional de RSS ao lado da barra de navegação do navegador.
Sem aviso prévio, a extensão oficial foi desativada e removida da loja de aplicativos do navegador. Após forte repercussão na comunidade de desenvolvedores, a Google reinstalou a extensão em cerca de uma semana, argumentando publicamente que a remoção havia sido cometida por um equívoco operacional interno.
Para os analistas do Open RSS, mesmo que a remoção da extensão tenha ocorrido por engano, o episódio evidenciou o baixo nível de prioridade do protocolo RSS na agenda de produtos da Google, apesar de a infraestrutura ter sido fundamental para o treinamento e indexação dos primeiros algoritmos da busca.
Lançado originalmente em 2002 como o agregador primário de notícias do buscador, o Google News permitia a inclusão direta de URLs de RSS feeds de veículos de comunicação de qualquer porte. O sistema funcionava como uma vitrine global para portais independentes e grandes jornais.
Após consolidar a audiência de notícias no aplicativo móvel do Google News, a empresa começou a descontinuar gradualmente o suporte a feeds externos de terceiros. A integração foi totalmente encerrada em dezembro de 2017, fazendo com que as conexões de RSS cadastradas pelos usuários paratassem de funcionar dentro da plataforma.
Com o encerramento do suporte em dezembro de 2017, a Google não apresentou explicações técnicas aos veículos afetados. Os links proprietários do próprio Google News continuaram operando normalmente, enquanto os portais de notícias foram forçados a redirecionar o público para suas próprias páginas sem a ponte do protocolo aberto.
O capítulo mais recente apontado no levantamento ocorreu em maio de 2021, quando a Google anunciou que estava desenvolvendo uma nova atualização para o Google Chrome com um recurso experimental para seguir sites via RSS na guia lateral do navegador.
Apesar do anúncio em maio de 2021, o relatório do Open RSS destaca que não foram lançadas atualizações definitivas nem prazos concretos para a implantação global da função no Chrome. A falta de previsibilidade mantém os desenvolvedores desconfiados sobre a estabilidade de novos recursos baseados no padrão aberto.
A organização Open RSS ressalta no encerramento de sua análise que, pelo porte e alcance global da Google, o ecossistema da web aberta necessita que o protocolo RSS receba manutenção contínua e suporte estável por parte dos grandes navegadores, garantindo a descentralização da informação no cenário internacional e no mercado brasileiro.
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