Guillermo Rauch explica a nova infraestrutura de agentes de IA na Vercel
O CEO da Vercel, Guillermo Rauch, detalha como a empresa gerencia 1 trilhão de tokens diários e protege dados corporativos contra vazamentos na nuvem.
Análise detalhada sobre os mais de 100 veículos terrestres autônomos Lancer, desenvolvidos pela Forterra, em missões reais de combate e logística na Ucrânia.
Na vanguarda do desenvolvimento de tecnologia militar contemporânea, a empresa norte-americana Forterra revelou o desdobramento ativo de mais de 100 de seus veículos utilitários multiterreno (ATVs) autônomos em zonas de combate na Ucrânia. A operação, que ocorre de forma ininterrupta há nove meses, é apontada pela companhia como o maior desdobramento de veículos terrestres autônomos (UGVs) em ambiente de combate real já realizado por qualquer empresa de tecnologia de defesa sediada nos Estados Unidos. O anúncio expõe a aceleração do uso de sistemas robóticos terrestres em conflitos modernos de alta intensidade, marcando um momento de profunda transformação no suporte técnico fornecido às forças armadas ucranianas diante da invasão russa.

A validação prática dessas plataformas em solo ucraniano é vista como um divisor de águas pelos executivos e engenheiros da fabricante de sistemas autônomos. Scott Sanders, diretor de crescimento da Forterra e ex-oficial do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (US Marine Corps), enfatizou em declaração ao veículo de tecnologia TechCrunch a necessidade inevitável de testar sistemas militares sob fogo real para compreender seu verdadeiro potencial operacional. O executivo apontou que os testes em ambientes controlados e campos de prova isolados não conseguem simular os imprevistos gerados pela atividade inimiga ativa.
"Acredito que isso seja verdade para toda tecnologia de defesa que já foi criada — até que você enfrente as realidades do combate, simplesmente não há como saber como o sistema irá se comportar", afirmou Scott Sanders.
Financiada diretamente por verbas de defesa do governo dos Estados Unidos, a missão dos veículos desenvolvidos pela Forterra integra uma iniciativa estratégica mais ampla para transformar as forças armadas norte-americanas por meio do suporte ativo à resistência ucraniana. Embora os drones de asas rotativas e fixas tenham dominado a atenção pública e as análises sobre o conflito nos últimos anos, a proliferação dessas ferramentas aéreas acabou gerando dinâmicas defensivas complexas e perigosas no solo. A vigilância constante vinda de cima impossibilita a movimentação tradicional de tropas e suprimentos pelas vias de acesso convencionais.
A vulnerabilidade extrema das tropas terrestres sob o monitoramento constante de aeronaves não tripuladas forçou os estrategistas militares a buscar alternativas que utilizem a autonomia ao nível do solo. O sargento-mor Corey Wilkens, líder de um programa voltado ao desenvolvimento de táticas e veículos autônomos para o Exército dos EUA (US Army), detalhou o cenário de perigo absoluto enfrentado pelos combatentes na linha de contato. Segundo ele, as tecnologias de monitoramento de baixo custo mudaram as regras do jogo e exigem uma resposta robótica terrestre imediata.
"Não há onde se esconder. Você se torna muito, muito vulnerável a ataques coordenados por drones de visualização em primeira pessoa [FPV], além de outros tipos de drones que lançam munições, ataques de artilharia, morteiros e toda a gama de armamentos que eles possuem à disposição no front", explicou Corey Wilkens.
Nesse ambiente de constante ameaça aérea, a logística militar básica — que envolve o transporte de munição para as trincheiras e a evacuação rápida de soldados feridos — tornou-se uma missão de altíssimo risco. A necessidade de deslocar suprimentos sem expor soldados humanos a mortes causadas por ataques aéreos direcionou o interesse das Forças Armadas da Ucrânia para os sistemas terrestres autônomos, desencadeando um processo de testes acelerados com soluções comerciais e militares fornecidas por parceiros ocidentais.
Antes da chegada dos equipamentos norte-americanos, a Ucrânia já vinha construindo seus próprios veículos terrestres não tripulados (UGVs) de forma doméstica para mitigar as perdas logísticas. No entanto, essas iniciativas de fabricação local enfrentam limitações técnicas severas quando comparadas a sistemas industriais robustos. Segundo relatos de um soldado do exército ucraniano que opera esses equipamentos no campo de batalha — e cuja identidade foi preservada pelo TechCrunch por motivos de segurança —, a maioria dos veículos produzidos localmente na Ucrânia é alimentada exclusivamente por baterias elétricas recarregáveis.
Essas plataformas locais alimentadas por bateria possuem limitações de autonomia de energia e peso, sendo capazes de transportar uma carga máxima de até 250 quilogramas de suprimentos por viagem. Em contrapartida, os veículos Lancer fornecidos pela Forterra utilizam como base física os veículos utilitários multiterreno (ATVs) comerciais da marca Polaris. Esses veículos são modificados e equipados com um conjunto de hardware personalizado que inclui sensores ópticos de alta precisão e uma pilha de computação integrada de alto desempenho para o processamento de dados de navegação.
Diferente das alternativas elétricas de pequena escala desenvolvidas no país, os modelos Lancer funcionam com motores a combustão interna movidos a gasolina. Essa motorização e o chassi robusto de fábrica permitem que os veículos transportem cargas de até 750 quilogramas de suprimentos, triplicando a capacidade operacional de entrega de munições e provisões nas linhas de defesa. O soldado ucraniano entrevistado destacou a disparidade de desempenho entre os modelos locais e os importados dos Estados Unidos, classificando o impacto prático do sistema na linha de frente:
"A verdade é que este UGV para logística e para a manutenção de nossa linha de defesa é o veículo terrestre não tripulado mais importante em operação na Ucrânia. Ele é fantástico, e estamos desesperados para conseguir mais unidades o quanto antes."
O entusiasmo atual demonstrado pelos combatentes ucranianos em relação ao veículo da Forterra não existia no início do desdobramento tecnológico. De forma geral, as Forças Armadas da Ucrânia acumulam um histórico de experiências mistas e frustrações com empreiteiros e empresas de tecnologia ocidentais que tentam introduzir softwares e hardwares experimentais no campo de batalha. No início das operações, as primeiras configurações do veículo Lancer pareciam excessivamente alinhadas aos requisitos técnicos e de custos do Exército dos EUA, que muitas vezes não refletem a rusticidade exigida em uma guerra de desgaste contra as forças russas.
A aceitação e a eficiência do sistema aumentaram substancialmente quando a equipe técnica realizou modificações de campo diretas no chassi dos veículos para adequá-los à realidade tática. A principal e mais bem-sucedida alteração consistiu na instalação física de uma antena de comunicação via satélite Starlink na estrutura de cada Lancer. Essa integração permitiu conectividade robusta, transferência contínua de dados de controle e melhor resiliência contra as tentativas de bloqueio eletrônico por parte dos sistemas russos de guerra eletromagnética.
A adição da antena de satélite da Starlink mitigou as perdas de sinal comuns em operações de longo alcance em áreas florestais ou terrenos acidentados. Com comunicações estáveis de banda larga instaladas diretamente no topo do veículo, os operadores conseguiram manter a supervisão e o comando das missões mesmo quando as plataformas se deslocavam por quilômetros além da linha de visão direta das tropas de controle.
Os números consolidados pela Forterra desde o início do desdobramento em outubro do ano passado atestam a intensidade das operações dos veículos Lancer em solo ucraniano. Ao longo dos últimos nove meses, as mais de 100 unidades mobilizadas completaram um total combinado de mais de 1.100 missões militares críticas. Durante essas incursões em áreas disputadas, a frota acumulou mais de 2.500 milhas terrestres percorridas (o equivalente a aproximadamente 4.023 quilômetros de deslocamento físico pelos terrenos severos da Europa Oriental).
Em termos de peso e capacidade de tração, as plataformas transportaram um total de 777.440 libras (aproximadamente 352,6 toneladas) de suprimentos diversos, incluindo munições de artilharia, armamentos leves, rações de combate, água e equipamentos médicos. O papel dos veículos também foi crucial no salvamento de vidas na linha de frente, tendo realizado com sucesso 52 evacuações de soldados feridos em áreas de combate onde o acesso de ambulâncias tripuladas tradicionais ou helicópteros seria considerado suicídio tático.
Apesar do desempenho bem-sucedido nessas missões, a frota de Lancer sofreu baixas reais devido à intensidade dos combates. Algumas unidades foram totalmente perdidas e destruídas em combate devido a falhas geográficas e ações diretas do oponente. Os principais fatores de perda física de veículos ocorreram quando as plataformas ficaram severamente presas em lamaçal profundo ou terrenos extremamente acidentados, situações em que a imobilidade temporária permitiu que as forças russas alvejassem e destruíssem os veículos utilizando artilharia pesada ou ataques direcionados de drones de ataque de precisão.
A vivência prática no conflito ucraniano expôs gargalos importantes nos sistemas de navegação autônoma de última geração. Atualmente, os soldados ucranianos operam os veículos Lancer principalmente por meio de controle remoto à distância (teleoperação), em vez de depender exclusivamente dos algoritmos de autogovernança integrados. Essa preferência operacional ocorre porque as plataformas são consideradas valiosas demais pelo exército local para serem perdidas por erros de navegação lógica, e porque a inteligência artificial embarcada ainda carece de maturidade técnica para lidar com as surpresas e perigos constantes da guerra real.
Embna os sensores e softwares de processamento permitam que o Lancer navegue de forma autônoma por obstáculos naturais diversos, como árvores, rochas e variações de relevo em estradas não pavimentadas, o sistema não é capaz de detectar e classificar ameaças táticas complexas em tempo real. Os algoritmos atuais não conseguem, por exemplo, identificar a aproximação de forças inimigas ocultas, a presença de uma cratera de artilharia recente na pista ou obstáculos móveis colocados deliberadamente na rota como emboscada militar.
A incapacidade do sistema autônomo de realizar decisões táticas dinâmicas foi apontada pelo operador ucraniano entrevistado pelo TechCrunch como o principal limite prático da tecnologia. De acordo com o militar, a capacidade de identificar perigos ativos e alterar a trajetória do veículo de forma inteligente é essencial para a preservação das plataformas robóticas de transporte em cenários onde o inimigo possui vigilância constante.
"Nós realmente precisamos que os veículos sejam capazes de responder às ameaças do inimigo, ao vivo, enquanto o veículo está posicionado diretamente na frente do oponente, algo que o sistema de autonomia ainda não sabe como fazer sozinho", detalhou o soldado ucraniano.
Fundada há 20 anos e com um longo histórico no desenvolvimento de sistemas de direção autônoma, a Forterra trabalha agora no desenvolvimento de novas abordagens computacionais para superar essas limitações de detecção tática. A empresa busca combinar os algoritmos tradicionais de robótica clássica — que fornecem a base de controle físico e desvio de obstáculos mecânicos utilizados na indústria de carros autônomos comerciais — com novos modelos de inteligência artificial generativa, permitindo que as máquinas compreendam o cenário ao seu redor de forma generalizada e dinâmica.
No entanto, a criação desses novos modelos enfrenta obstáculos complexos de infraestrutura e dados de treinamento. Diferente dos carros autônomos civis, que contam com petabytes de dados de trânsito urbano disponíveis publicamente na internet, as situações enfrentadas por robôs em zonas de combate ativo não possuem equivalentes em bancos de dados de código aberto. Scott Sanders explicou que a indisponibilidade dessas informações especializadas obriga as empresas de tecnologia militar a buscar caminhos inovadores de coleta e geração de dados confidenciais.
"Há uma grande quantidade de tarefas que você precisa realizar e que não estão disponíveis em um modelo de código aberto porque não são ações comuns que seres humanos realizam no dia a dia, seja descobrir como navegar de forma segura por um campo minado ou operar sistemas de armas defensivas integrados. É preciso ajustar os controles físicos com robótica clássica e, ao mesmo tempo, alavancar a inteligência artificial onde ela é realmente necessária", apontou Scott Sanders.
Essa corrida para desenvolver modelos de fundação aplicados à robótica militar atrai concorrentes de peso nos Estados Unidos. Empresas de tecnologia como a startup Scout AI, que levantou US$ 100 milhões no início deste ano para treinar modelos focados em plataformas robóticas de defesa, estão trabalhando na solução de desafios semelhantes de navegação off-road. Outras empresas emergentes do ecossistema norte-americano, como a Field AI e a Overland AI, também estão conduzindo testes rigorosos de veículos terrestres não tripulados em estreita colaboração com o Exército dos Estados Unidos para o refinamento de seus algoritmos.
A experiência adquirida no front ucraniano também forçou a diretoria da Forterra a avaliar os gargalos práticos de produção. O diretor de inovação da companhia, Scott Philips, viajou pessoalmente para a Ucrânia para visitar o centro de operações táticas de uma unidade militar local. A visita do executivo a uma região localizada dentro da zona de alcance de ataques de mísseis e artilharia russa rendeu admiração mútua e respeito por parte das tropas locais, que raramente recebem visitas de executivos de alta tecnologia ocidentais em áreas ativas de perigo de morte.
Durante a visita técnica em solo ucraniano, Scott Philips pôde observar em detalhes o funcionamento diário dos fluxos de trabalho e onde a automação ainda esbarra em limitações burocráticas e físicas das instalações militares. O executivo destacou que os principais desafios residem na integração fluida de dados de controle operacional de campo.
"O que mais me chamou a atenção foi ver exatamente onde estão os gargalos do processo: quais etapas operacionais ainda são manuais, onde os dados de missão precisam ser inseridos novamente ou verificados à mão pela equipe e onde os soldados já encontraram formas engenhosas de automatizar ou acelerar as tarefas. Esse é o tipo de realidade prática que você não consegue extrair de uma apresentação de slides, pois ela expõe precisamente onde ferramentas melhores poderiam aliviar a pressão física sobre as pessoas que estão executando o trabalho em tempo real", afirmou Scott Philips.
Além da automação de dados de missão, a principal demanda feita pelas tripulações ucranianas à liderança de inovação da Forterra concentrou-se na necessidade urgente de barateamento da plataforma. Embora os veículos Lancer apresentem custos considerados baixos para a categoria militar de tecnologia — graças ao aproveitamento da cadeia global de suprimentos comerciais da fabricante de ATVs Polaris para a fabricação do chassi principal —, o custo total de substituição de uma unidade destruída impede que eles sejam utilizados de forma livre como ocorre com os drones aéreos descartáveis.
A dura realidade econômica dos conflitos de desgaste exige que o custo unitário dos robôs de transporte terrestre seja reduzido significativamente para suportar a taxa de atrito inevitável imposta pela artilharia inimiga. O operador ucraniano entrevistado encerrou seu relato ao TechCrunch enfatizando a relação direta entre preço unitário e capacidade de sobrevivência das tropas no front de combate.
"A perda de equipamentos por desgaste e fogo inimigo é simplesmente um fato imutável deste campo de batalha. Nós já perdemos algumas unidades até este momento, o que gerou um impacto significativo em nosso inventário logístico. Nós precisamos urgentemente de mais veículos terrestres e, para conseguirmos isso na quantidade adequada, nós precisamos essencialmente que eles sejam muito mais baratos para serem fabricados e substituídos", concluiu o militar.
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