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Mercado de navegadores em 2026 migra das buscas para assistentes de IA. Conheça as principais alternativas ao Google Chrome e Apple Safari.
Em julho de 2026, a disputa global pelo mercado de navegadores atingiu uma nova fase: a concorrência deixou de ser focada em quem entrega os melhores resultados de busca e passou a girar em torno de qual inteligência artificial atuará de forma autônoma em nome do usuário. Embora o Google Chrome e o Apple Safari sigam dominando o setor — com a liderança do Google impulsionada pela integração direta de IA generativa na busca —, o ano de 2026 consolidou uma onda de novos concorrentes. De startups financiadas por capital de risco até veteranas da tecnologia, diversas empresas tentam transformar o navegador web em um assistente de tarefas diárias.

As opções de navegadores alternativos ao Google Chrome e Apple Safari se dividem hoje em três frentes principais. A primeira envolve navegadores baseados em agentes de IA capazes de interagir com sistemas web. A segunda abrange plataformas open source focadas na privacidade dos dados e na remoção de rastreadores. A terceira vertente é composta pelos chamados navegadores atentos ao bem-estar ou produtividade, projetados para reduzir distrações digitais e otimizar rotinas de trabalho.
A categoria de navegadores movidos a inteligência artificial ganhou tração rápida no mercado. Em julho de 2025, a Perplexity lançou o Comet, um navegador que funciona como um mecanismo de busca baseado em chatbot. O sistema é capaz de resumir e-mails, navegar em páginas dinâmicas e executar ações concretas, como o envio automático de convites de agenda. O Comet está disponível para inscritos na lista de espera ou para assinantes do plano Max da plataforma, que custa US$ 200 por mês.
Outro destaque do setor de assistentes virtuais é o Dia, lançado no meio de 2025 pela The Browser Company — startup responsável pelo desenvolvimento do navegador Arc. O Dia apresenta uma interface visual similar à do Google Chrome, mas inclui uma ferramenta de chat integrada que analisa o histórico recente e as páginas onde o usuário está autenticado. Essa integração permite ao Dia responder perguntas sobre produtos em sites de e-commerce, resumir documentos e arquivos anexados e fornecer dados detalhados sobre a aba em exibição. O download do Dia é gratuito.
No segmento de softwares pagos, a Opera introduziu o Neon em maio de 2025. O software é classificado como um navegador agente com consciência contextual, apto a realizar pesquisas profundas, executar compras e redigir trechos de código de programação. O Neon possui o diferencial de executar automações mesmo quando o dispositivo não está conectado à internet. Ele está disponível para os sistemas operacionais macOS e Windows mediante assinatura de US$ 19,90 por mês.
A automação profunda de processos no navegador também é o foco da startup Aside, acelerada pela Y Combinator. Construído como uma plataforma de automação nativa, o Aside solicita que o usuário forneça senhas, histórico de navegação e contexto para preencher formulários e gerenciar dados em nome da pessoa. Ao contrário de ferramentas de integração tradicionais, o Aside roda diretamente dentro do navegador, operando em aplicações como Gmail, Notion, Slack, Figma e portais bancários.
Ainda entre os navegadores focados em assistentes virtuais, o Jatter chegou ao mercado em junho de 2026. O software permite fazer perguntas sobre o conteúdo de qualquer página aberta, extrair percepções de navegação e receber recomendações personalizadas com base no histórico do usuário. O Jatter inclui um aplicativo de anotações integrado que resume notas e correlaciona dados salvos. Compatível com Mac, Windows, iOS e Android, o aplicativo oferece um plano gratuito e uma assinatura opcional de US$ 10 por mês.
Apesar do investimento massivo em novos navegadores de IA, a trajetória desse mercado também registra recuos estratégicos. Em outubro de 2025, a OpenAI lançou o Atlas, um navegador construído em torno do ChatGPT. O sistema permitia consultar o chatbot sobre resultados de pesquisa e navegar em sites sem a necessidade de redirecionamento para links externos, além de contar com um modo agente para a realização autônoma de tarefas.
No entanto, em julho de 2026, a OpenAI encerrou oficialmente o projeto do navegador Atlas. A empresa optou por descontinuar o aplicativo autônomo e migrar as suas capacidades de navegação agente diretamente para o aplicativo de desktop do ChatGPT e para a extensão oficial desenvolvida para o Google Chrome.
Enquanto as ferramentas de IA se concentram em automação, a busca por privacidade contínua impulsionando navegadores consolidados e novos projetos open source. O Brave se mantém como uma das alternativas mais populares nessa categoria devido ao bloqueio nativo de anúncios e rastreadores. O navegador adota um modelo recompensado em que os usuários que aceitam visualizar anúncios parceiros recebem frações da criptomoeda Basic Attention Token (BAT). O Brave também disponibiliza serviço de VPN, assistente de IA integrado e ferramenta própria para chamadas de vídeo.
Outro nome tradicional na proteção de dados é o DuckDuckGo, que expandiu a atuação do seu buscador lançado em 2008 para um navegador completo. Recentemente, a empresa integrou assistentes de IA generativa ao aplicativo e reforçou o bloqueador de fraudes para identificar corretoras falsas de criptomoedas, técnicas de scareware e lojas virtuais golpistas. Além de bloquear anúncios e rastreadores sem armazenar dados dos usuários, o DuckDuckGo reduz a exibição de janelas pop-up durante a navegação.
A personalização de interface é a principal aposta do Vivaldi, navegador construído sobre a plataforma de código aberto Chromium por um dos desenvolvedores originais do Opera. O Vivaldi altera automaticamente o esquema de cores da janela para corresponder ao site visitado e oferece um conjunto de utilitários como gerenciador de senhas, calendário, bloco de notas e bloqueador de rastreadores, mantendo a política de não coletar informações dos usuários.
Em um movimento técnico diferente da maioria das alternativas do mercado, o navegador Ladybird busca refazer a infraestrutura da web. Liderado por Chris Wanstrath, cofundador e ex-CEO do GitHub, o projeto tem como meta criar um motor de renderização totalmente novo a partir do zero, sem utilizar qualquer linha de código de navegadores existentes. A iniciativa busca quebrar a dependência do projeto Chromium, mantido pelo Google e utilizado como base pela quase totalidade das alternativas atuais.
O Ladybird foi projetado como um software open source com bloqueadores nativos de anúncios e cookies de terceiros. A equipe responsável prevê o lançamento da primeira versão alpha do navegador ainda em 2026, voltada para usuários e desenvolvedores nos sistemas Linux e macOS.
A busca por interfaces que reduzam o estresse digital deu origem aos chamados navegadores de bem-estar. O Opera Air, lançado em fevereiro de 2025, foi um dos pioneiros no conceito de navegação voltada à saúde mental. O aplicativo inclui alertas programados para pausas, rotinas de exercícios de respiração e o recurso Boosts, que reproduz frequências sonoras e batimentos binaurais focados em relaxamento ou concentração.
Voltado para usuários do ecossistema Apple, o SigmaOS é um navegador exclusivo para Mac financiado pela Y Combinator. O software adota um visual em formato de espaço de trabalho, no qual as abas ficam dispostas verticalmente e funcionam como listas de tarefas que podem ser marcadas como concluídas ou adiadas. O SigmaOS adicionou recursos de IA capazes de resumir avaliações, preços e notas em e-commerces, além de um assistente para tradução e reescrita de textos. A versão gratuita limita o uso a 3 áreas de trabalho, enquanto o plano ilimitado custa US$ 8 por mês.
Com a proposta de criar uma navegação sem distrações, o Zen Browser oferece uma estrutura totalmente open source com suporte a divisões de tela (Split View) e organização por espaços de trabalho. A ferramenta permite a instalação de extensões e modificações visuais desenvolvidas pela comunidade, como temas que tornam o fundo das abas transparente.
A consolidação dessas alternativas altera a dinâmica do mercado de tecnologia no Brasil. Como a maior parte dos computadores e smartphones no país roda variações do Google Chrome e Apple Safari, a introdução de planos pagos em dólar — como os US$ 200 por mês do Perplexity Comet ou os US$ 19,90 por mês do Opera Neon — impõe uma barreira financeira para a adoção em massa de agentes autônomos no mercado brasileiro.
Por outro lado, opções gratuitas como o Dia, Vivaldi e Brave oferecem caminhos acessíveis para usuários e desenvolvedores locais que buscam maior produtividade ou proteção de dados contra o rastreamento corporativo. O avanço do Ladybird e de projetos open source em 2026 reforça também a relevância da diversidade de motores web em um cenário dominado pela infraestrutura do Chromium.
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