Yope capta US$ 12,3 milhões para criar rede social privada sem anúncios
A startup Yope levanta US$ 12,3 milhões para expandir sua rede social baseada em microcomunidades, sem feeds algorítmicos ou publicidade.
Balanço trimestral frustra Wall Street e ação despenca 25%. CEO Arvind Krishna atribui adiamento de contratos ao encarecimento de hardware por IA.
Na última quarta-feira, a IBM, corporação de infraestrutura tecnológica com 115 anos de história, divulgou oficialmente seu balanço financeiro trimestral reportando uma receita global de US$ 17,2 bilhões e um lucro líquido de US$ 2,2 bilhões. Embora a empresa continue gerando montantes expressivos de caixa — alcançando um lucro bruto de US$ 9,9 bilhões e mantendo margens brutas de aproximadamente 58% —, o resultado consolidado ficou muito abaixo do que era esperado pelos analistas de Wall Street.

A gravidade da frustração com os números levou o CEO da IBM, Arvind Krishna, em conjunto com o conselho de administração da empresa, a adotar uma postura sem precedentes na gestão recente da organização: alertar os investidores antes da divulgação oficial. Na semana anterior ao relatório definitivo, Krishna publicou uma carta aberta aos acionistas compartilhando dados preliminares e admitindo categoricamente que o desempenho financeiro do período foi "pior do que as nossas expectativas".
A reação do mercado financeiro ao alerta prévio emitido por Arvind Krishna foi imediata e severa, provocando uma queda de 25% nas ações da IBM em um único dia. Esse declínio representou a maior perda percentual diária da história do papel na bolsa de valores. Até a divulgação do comunicado preliminar, a ação vinha registrando um desempenho sólido ao longo dos seis anos em que Krishna esteve no comando da empresa, impulsionada em grande parte pelo ciclo de expansão dos datacenters voltados à inteligência artificial.
Na confirmação dos dados na quarta-feira, a IBM revelou que além de desapontar as projeções do trimestre, foi forçada a rebaixar suas estimativas de crescimento para o fechamento do ano fiscal completo. A alteração nas projeções de longo prazo refletiu o fraco desempenho registrado na categoria de infraestrutura da empresa, setor considerado pilar fundamental para a rentabilidade da companhia.
O principal fator por trás do desastre financeiro reportado pela IBM foi o desempenho de sua divisão de computadores de grande porte. A linha de negócios de mainframes, historicamente tratada como a grande geradora de caixa da companhia, registrou uma queda drástica de 42% nas receitas durante o trimestre em comparação com os períodos anteriores.
Essa retração na divisão de hardware desencadeou um impacto em cadeia sobre toda a estrutura de receitas da empresa. Conforme explicado pelo CFO da IBM, Jim Kavanaugh, durante a conferência de imprensa e apresentação dos resultados aos investidores na quarta-feira, a venda de computadores centrais sustenta outros ecossistemas da marca. Kavanaugh detalhou que a IBM fatura US$ 3 em vendas de software para cada US$ 1 gerado pela comercialização de hardware de mainframe.
A dinâmica financeira descrita por Jim Kavanaugh expõe a gravidade do recuo de 42% no setor. Quando a venda de equipamentos físicos encolhe, a contratação subsequente de licenças de software e sistemas operacionais de grande porte sofre uma desaceleração proporcional, multiplicando o prejuízo no faturamento global da empresa de 115 anos.
Durante a chamada com analistas de Wall Street, a diretoria executiva da IBM buscou mitigar o impacto dos dados afirmando que o declínio acentuado representa um percalço temporário no fluxo de caixa, e não uma mudança estrutural no comportamento do mercado corporativo.
Segundo as justificativas apresentadas por Arvind Krishna e Jim Kavanaugh, a retração observada nos números da IBM foi provocada pelo adiantamento ou suspensão de compra por parte de dezenas de clientes institucionais. Esse grupo de empresas, que tinha renovações de equipamentos agendadas para o trimestre, optou por não concretizar a aquisição dos novos sistemas no intervalo previsto.
Embora a expressão "dezenas de clientes" possa sugerir um volume pequeno de contratos, a natureza dos mainframes da IBM faz com que cada transação individual tenha um peso desproporcional nas finanças. Um único sistema de grande porte custa de centenas de milhares a milhões de dólares, e a assinatura associada de contratos de manutenção e programas de software gera dezenas de milhões de dólares adicionais ao longo do ciclo de vida útil do hardware.
O mesmo fenômeno global de expansão da inteligência artificial que vinha impulsionando o valor de mercado da IBM durante os seis anos de gestão de Arvind Krishna acabou atuando como o elemento desestabilizador do setor de infraestrutura da empresa no último período.
De acordo com o diagnóstico apresentado por Krishna na quarta-feira, os clientes corporativos da IBM foram atingidos por uma alta severa de preços nos equipamentos básicos de infraestrutura, o que os levou a remanejar orçamentos previstos para a atualização de seus computadores centrais.
A explicação do CEO Arvind Krishna para o adiamento na compra de mainframes aponta que os clientes enfrentaram aumentos de custo astronômicos, oscilando entre 15% e 30%, na aquisição de equipamentos para datacenters e em novos computadores pessoais (PCs). Diante da necessidade imediata de absorver esses reajustes no parque tecnológico padrão, as empresas transferiram verbas que seriam destinadas à IBM.
Em fala direcionada aos acionistas e analistas durante a apresentação dos dados de receitas de US$ 17,2 bilhões, Arvind Krishna explicou a dinâmica de remanejamento financeiro observada nas grandes corporações:
“Quando eles se depararam com esse problema, decidiram mover o orçamento para as áreas onde estavam enfrentando essa escalada extrema de preços.”
A pressão sobre os custos de suprimentos relatada pela IBM reflete um cenário mais amplo do mercado de tecnologia. Fabricantes de hardware corporativo de grande porte, como a Dell e a HP, emitiram alertas prévios informando que a alta no preço de componentes vitais — como módulos de memória RAM, impulsionada pela construção massiva de datacenters de inteligência artificial — forçou o repasse dos custos nos preços finais de seus produtos.
Até mesmo empresas do setor de consumo como a Apple indicaram impactos inflacionários semelhantes em suas cadeias de suprimentos. A alta no preço das memórias e processadores para datacenters acabou drenando o orçamento dos departamentos de tecnologia, resultando no adiamento direto de compras da linha de mainframes da IBM.
Apesar do descompasso temporário no faturamento da empresa de 115 anos, Arvind Krishna defendeu que os clientes que adiaram as aquisições no último trimestre não abandonaram a tecnologia de mainframes. O executivo garantiu que essas corporações realizarão as compras dos novos equipamentos e fecharão os contratos de software correspondentes nos períodos subsequentes.
Como prova dessa tendência de recuperação, Arvind Krishna revelou na conferência de quarta-feira que uma parcela desses clientes que haviam pausado os projetos já assinou os contratos de compra de mainframes no trimestre atual. Krishna adotou um tom categórico para afastar especulações sobre a perda de relevância da plataforma mantida pela IBM:
“Não vemos nenhuma evidência de clientes migrando para fora do mainframe.”
A declaração de Arvind Krishna rebate um ceticismo recorrente dentro do setor de tecnologia. Há várias décadas, analistas e concorrentes preveem a obsolescência total e a substituição dos mainframes por arquiteturas distribuídas e serviços em nuvem, mas os computadores de grande porte da IBM mantêm sua dominância em processamento crítico de alto volume.
A garantia dada pela gestão de Krishna e Jim Kavanaugh aos investidores de Wall Street é de que o represamento de receita verificado no trimestre será revertido à medida que os orçamentos corporativos se reequilibrarem frente aos custos da inteligência artificial.
A dependência do ecossistema de software associado ao hardware da IBM, ancorada no modelo no qual cada US$ 1 investido em mainframe gera US$ 3 em vendas de programas, demonstra que as empresas usuárias possuem alto custo de troca. Por essa razão, a liderança da companhia confia que a retração de 42% observada na área de infraestrutura não representa um cancelamento estrutural de demanda.
O impacto do balanço divulgado pela IBM ressoa em mercados globais de tecnologia, incluindo o ecossistema corporativo brasileiro. Em setores de alta intensidade de dados, como o sistema bancário, operadoras de telecomunicações e grandes redes de varejo que operam no Brasil, a infraestrutura de mainframes da IBM permanece no núcleo de sistemas de missão crítica que exigem processamento ininterrupto de transações.
A volatilidade refletida na queda de 25% das ações da IBM demonstra o nível de sensibilidade dos mercados financeiros diante da redistribuição de gastos motivada pela inteligência artificial. O movimento citado por Arvind Krishna indica que o custo de implementação de sistemas de IA está afetando os fluxos tradicionais de investimentos em TI em escala global.
O acompanhamento dos próximos relatórios trimestrais da IBM servirá para comprovar se a tese do CEO Arvind Krishna se confirmará na prática, mostrando se os clientes que adiaram compras na faixa de centenas de milhares a milhões de dólares retornarão para adquirir o hardware e os softwares da companhia, ou se a pressão inflacionária provocada pela IA continuará impactando os balanços da empresa de 115 anos.
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